Seja livre para viver
Bah, parece que o Papo estagnou estes dias… Estou pensando em dar uma reformulada, visto o empenho de alguns autores está sendo destacado… Mas isso vou deixar pro próximo post… Enquanto isso, leiam minha nova crônica.
Seja livre para viver
por Roberto Ferrari
A não ser que esteja preso em um mausoléu em uma ilha cinzenta de concreto e grades, você é livre. Portanto, permita-se sentir a liberdade enquanto pode. O crepúsculo acontece todo o dia, mas não a toda hora. Você já aproveitou esse marcante momento para vê-lo e contemplar cada cor que dança embaixo do escuro da noite? Pois é, quando se vê, o dia já chegou ao fim e só se percebe que o restante do dia foi muito pouco para terminar o que começamos. Quando nos damos conta, o dia terminou e nem tivemos tempo para passar na casa daquele amigo aniversariante ou doente, que espera uma visita especial.
Talvez um dia o pôr-do-sol pare de nos fazer desejar que aquelas insuficientes 24 horas se tornem 72 e não signifique que a jornada está apenas começando, impedindo-nos de jantar em casa e fazendo que só cheguemos em casa quando todos já estão dormindo. É inevitável, a noite chega e mais uma vez não dissemos à pessoa amada o quanto ela nos é especial.
O imediatismo profissional faz com que não tenhamos um tempinho para dedicar para aquele que nos percebe, nos guia os passos, chora e vibra de alegria diante de nosso sucesso; como também sofre com nossas derrotas. Acabamos deixando de lado aquele alguém que sabe do nosso corre-corre e entende nossas ausências em festas de aniversário. Será que não podemos parar um minutinho para, ao menos, pegar o telefone e dizer um “olá” ou um singelo “eu te amo”?
Não quero que pense que tudo está perdido só porque não foste ver seu filho em sua primeira apresentação no teatro ou por ter desmarcado, mais uma vez, aquele jantar com a pessoa amada. Todos podemos interromper a noite de trabalho que será reduzida à mesmice no dia seguinte para dedicá-la às pessoas que nos fazem tão bem. Podemos visitar, convidar para um churrasco, ou apenas fazer companhia para aquela amiga de fossa. Pense, só porque o sol se foi não quer dizer que o dia necessariamente acabou. Não se lamente pelo que deixou de fazer.
Sei que, infelizmente, algumas coisas só podem ser feitas naquela hora, naquele dia, naquele instante. Mas, quando menos percebemos, as pessoas que amamos vão deixar de entender a solidão e irão embora. Nossos filhos arranjarão alguém especial e formarão suas famílias. Nossos amores encontrarão novos amores. Os amigos vão criar asas. Parentes morrerão. E você, estará aí, reclamando que o dia não foi proveitoso profissionalmente.
Não custa nada ligar, mandar um e-mail ou fazer uma visita inesperada. Quem sabe marcar um programa no meio da semana como ir no cinema, à igreja com a família inteira, ou mesmo passar o dia inteiro em uma praça com o nosso amor? Um dia só para vivermos. Porque no dia seguinte, independente desse desfrute ou não, estaremos sobrecarregados de serviço e com aquele estresse habitual mais uma vez.
Permita-se um café da manhã demorado, umas boas gargalhadas com amigos, um sorvete de domingo. Abrace. Viva enquanto podes. Permita-se viver!