Peço desculpas aos 6 leitores assíduos do blog. hahahaha Eu sei que é um pouco mais, uns 10 mais ou menos…. Eu sei que estava em falta, mas para compensar, segue um dos meus trabalhos que fez mais sucesso até hoje. E Detalhe: fato verídico. Acompanhem e morram de rir (da minha pessoa).
O Pobre Coitado
por Aléferson de Menez
Essa é para refletir.
Em determinados momentos de nossas vidas nos deparamos com acontecimentos inusitados. Alguns tristes, outros curiosos, e em sua grande maioria, extremamente cômicos. Quem nunca viu aquelas madames, sempre elegantes, que em um raro momento de azar, tem o salto do seu sapato preso em uma fresta da calçada? Alguém que compra alguma coisa e quando vai paga-la, pronto: esqueceu a carteira. Ou aquela velhinha simpática, que te aborda por “meu filho querido”, te pedindo ajuda para procurar uma correntinha de são Francisco, que havia perdido por ali. Depois lembra que a deixou em casa, sobre a bíblia, e encabulada, te agradece mil vezes e se desculpa outras mil. Os piores são aqueles caras metidos a conquistadores. Sempre vestindo uma baby look, bem colada ao seu corpo, geralmente desenvolvido de forma horrível, ou usando aquelas clássicas camisetas “i loveFortaleza” e “saudades de Florianópolis”. Sempre acabam tropeçando em degraus ou esbarrando em senhoras ligeiramente gordas. Depois disso, continuam, sem olhar para os lados.
E aqueles que batem a cabeça em orelhões? São os mais engraçados. Vão caminhando distraídos, olhando para os lados. A dor se encarrega de avisar que ali tinha um telefone público. Alguns tentam disfarçar e vão usar o aparelho. Outros entram na primeira loja que aparece. Enfim, não importa o que façamos, as situações constrangedoras fazem parte das nossas vidas. E dependendo da reação do pobre azarado, o fato se torna mais ridículo ainda.
Certa vez um rapaz caiu de bicicleta, na minha frente. – alias, quase me atropelou – ao invés de me pedir desculpas e continuar suas pedaladas, olhou para mim e fez comentários como “bah, cara perdi o controle” e “tomara que não estragou a magrela”. Comentários que não melhoraram em nada a sua situação, apenas o deixando mais constrangido. Nesses casos, o silêncio é o melhor amigo. E claro, posteriormente, os curativos.
Mas nada é tão humilhante quando você é o próprio azarado. Quando você menos espera, se torna o pobre coitado. O centro das atenções. O infeliz da história. Foi o que aconteceu comigo. E por sinal, até hoje não me perdoei.
Era um dia como todos os outros, com um pequeno detalhe: estava chovendo. E isso foi o que causou a minha desgraça. Passava das sete horas, o ônibus estava lotado, o sono me dominava, aumentando ainda mais o meu mau-humor – o meu irmão havia devorado um lanche que eu tinha feito, e pra não me atrasar, fiquei sem o café da manhã – ( mal sabia eu o que aquela manha cinzenta me reservava ). Quando chegamos ao ponto, levantei-me rapidamente para desembarcar. Uma mão segurava a mochila, e a outra, o guarda-chuva. A fila era grande e andava lentamente, o que me deixava mais irritado. Foi quando finalmente chegara a minha vez de descer. E os próximos segundos seriam os mais tristes de minha vida.
Mas antes de contar essa parte lamentável da história, caro leitor, quero deixar claro que o que direi a seguir é um fato real. Portanto, pode rir se quiser, mas não esqueça que isso pode acontecer com qualquer um. Inclusive com você. E é isso o que me consola ( um pouco ).
Estava ali pronto para descer. Cheio de pose, com um ar de “com licença, que eu vou passar”. Rápido, passei pela catraca – aquelas do tipo deitada, com três ferros – e, ao superá-la, ela fez um bruto e terrível movimento, jogando um de seus gelados ferros contra a minha perna – para ser mais exato, atrás do joelho direito. Instantaneamente, a perna dobrou-se, devido ao forte e inesperado impacto. Nesse momento, a primeira coisa que pensei foi “ah não, isso não! Só o que me falta é cair”. E eu caí. Logo que a terrível roleta me acertou, meu corpo pendeu para trás. Estava feita a cagada. Tentei dar um passo para me equilibrar, mas a minha tentativa não deu certo. Só piorou a situação.
O impacto da roleta e o maldito passo, associados, fizeram com que eu caísse para trás, indo para frente. Ou seja, desci, categoricamente, batendo com minhas nádegas em cada degrau (muito embarrados por sinal ) até chegar ao chão.
Fiasco. Humilhação. Um verdadeiro mártir.
Não sabia o que fazer. Fiquei ali atirado por longuíssimos dois segundos. Estava desolado. Não, aquilo não podia estar acontecendo. Não comigo! “Diga que estou sonhando”. Não, eu não estava sonhando.
Enquanto caía, utilizando de minhas nádegas, degrau por degrau, a coisa que eu mais fazia era me xingar – sim leitor pode rir!
Depois que meu traseiro encontrou o fim da rota, me dei por conta que a praça central estava cheia.
– Fuja loco! – gritou um engraçadinho.
No ônibus e na praça, umas duzentas pessoas. Todas me olhando. “Pronto, acabou a minha vida social” – pensei logo. “O que estão olhando”? e “cuidem de suas vidas, pombas!” era o que eu queria falar. Mas se falasse alguma coisa, tudo iria piorar, afinal, eu que era o pobre coitado daquela da história.
Queria sumir. Mas para onde? Sair correndo seria ridículo. Podia embarcar em outro ônibus e ir embora, mas todos notariam. Poderia ter simulado um desmaio e ate mesmo uma grave e dolorida fratura, mas isso tornaria a situação, além de constrangedora, um pouco dramática. Olhei para os lados, e notei que em todos os rostos havia uma risada querendo escapar. Puro deboche. Baixei a cabeça e, mediocremente, segui até o meu destino.
– Mãe, o tio caiu? - perguntou um garotinho a sua mãe, notando minhas roupas sujas.
Como disse no começo, em determinados momentos de nossas vidas nos deparamos com acontecimentos inusitados. Alguns tristes, outros curiosos, e em sua grande maioria, extremamente cômicos. Por isso leitor amigo, lembre-se disso: nunca ria de ninguém nesse tipo de situação. Um dia, o pobre coitado pode ser você!
***
Daiane disse,
julho 27, 2011 às 9:18 pm
Muito bom o texto, adorei!
Me fez lembrar de duas situações em que me senti uma pobre coitada hahahaha
A primeira, foi quando eu ainda estava no Ensino Médio. Me chamaram pro jogar vôlei na outra metade do ginásio, e como eu amava jogar, saí correndo feliz pra partida que ia começar. Mas pra minha infelicidade, existia uma rede que dividia o ginásio (de um lado vôlei e do outro lado futebol). Na pressa de chegar do lado do vôlei, tropecei na rede que ficava no caminho, com sua ponta esticada na parede do ginásio, fazendo uma meia-lua até o teto. Mal tive tempo de pensar, apenas atinei em erguer a cabeça na queda, num reflexo muito rápido. Pra mim, o salto que dei sobre a rede tinha sido um sucesso, mas por alguma razão meu pé direito prendeu naquela mer…, digo, rede. Resultado: caí em cima dos braços e esfolei, além deles, o queixo e os joelhos. Não quebrei o nariz por ter erguido a cabeça. Me levantei o mais rápido que pude e parecia que eu ia perder meus braços de tanta dor. Mas o pior não foi isso: foi ver que tanto o lado do futebol quanto do vôlei, além das pessoas que circulavam por ali, pararam tudo que estavam fazendo pra ver que estouro tinha sido aquele no meio do ginásio. Caí que nem um saco de batata e ninguém entendeu nada.
A segunda, foi mais simples: sabe aqueles pauzinhos com correntes que normalmente ficam demarcando a passagem das filas em bancos, lotéricas, etc? Pois é. Estava eu na fila do xerox fazia uma meia hora. Isso há uns 2 anos atrás. Bom, fiz o xerox normalmente e quando me virei não sei porquê cargas d’água os pauzinhos não estavam a 1 metro de mim como quando eu estava na fila. Já atrasada de tanto esperar, paguei o xerox, peguei as folhas e virei bruscamente. Nisso, me enrolei nos pauzinhos e nas correntes, derrubei tudo e caí toda enrolada no chão. Tinha pelo menos umas 30 pessoas circulando pelo local. Ao menos um menino simpático me ajudou a levantar e perguntou se estava tudo bem.
Sabe, acho que nesses momentos, mesmo que das 30 pessoas que viram nosso vexame apenas 2 tenham notado, a gente sempre vai achar que todo mundo virou pra nós naquela hora. O constrangimento, a sensação de “que droga foi essa que eu fiz?”, “eu não acredito, sua tonta”, entre milhões de auto-xingamentos, são normais.
Mas como você disse, todo mundo já passou por isso um dia e se não passou, ainda vai passar.
Beijo!