Diplomas

julho 6, 2009 at 9:59 am (Crônicas do Kastanho)

Diplomas

por Roberto Ferrari

Também vou me manifestar sobre a decisão do STF de acabar com a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Sou acadêmico da graduação de jornalismo e isso me é pertinente.

Sei que para muitos essa foi uma decisão absurda, porém, sou favorável. Acredito que grandes jornalistas não surgem nas escolas de comunicação social e sim quando adquirem para o seu cotidiano a verdadeira realidade profissional. Muitos diplomados até atrapalham o andamento do real jornalismo. Porém, a forma com que o fim da obrigatoriedade do diploma foi fundamentada não me agradou.

Primeiro não aceito que as autoridades brasileiras tenham o poder de decidir sobre isso. Em suma, a realidade deles é focada apenas em ações jurídicas ou cambiais. Muitos até votam sem ter conhecimento do que está em discussão. Fiquei estático quando ouvi que o jornalismo é similar à culinária, relacionando-se ao fato de que para exercê-los é preciso ter o “dom”.

Em resposta, acrescentaria que a graduação na área é importante. Ressalto que todas teorias estudadas e debatidas nas incontáveis disciplinas cursadas da faculdade não são apenas conhecimento sem fundamento. Essas teorias fazem a diferença na hora de exercer, bem ou mal, nossa profissão. Claro que não impede o exercício de veicular informação, mas é um diferencial que lhes devia ser analisado. Um jornalista que conhece as teorias de Walter Benjamin, Max Horkheimer e Charles Sanders Peirce, por exemplo, agirá da maneira correta em novos desafios comunicacionais do que aqueles que só conhecem a prática.

Concordo com o ministro Celso de Mello, quando este disse que “a comunicação de ideias, de pensamento, hão de ser livres, permanente livre, essencialmente livres, sempre livres”. Porém, acredito que o que esteve em discussão não foi a “liberdade de expressão”. A pauta era quem podia manifestá-la através do codinome imprensa. Existem diversos meios para que as pessoas expressem suas opiniões, meios que não vão fazer desse direito um meio para o exercício sem responsabilidades e consequências.

O relator, ministro Gilmar Mendes, disse que a exigência do diploma só pode ser feita para as profissões “que de alguma forma podem trazer perigo de dano á coletividade ou prejuízo direto de terceiros”. Mas, então, porque existem tantos processos judiciais rondando as empresas de comunicação? Não seria aconselhável preparar profissionais para situações delicadas, visando evitar erros que repercutiriam em prejuízos à instituição?

Mas, para finalizar, me contento com a decisão. Mas não com a forma que se tratou o assunto. Poderiam ter dito que “não haverá mais obrigatoriedade do diploma pelo motivo de que muitos jornalistas tendem a aprender os conhecimentos essenciais para a profissão em seus cotidianos em mídias e assessorias; porém, cabe a cada empresa de comunicação avaliar a condição de seus contratados para que tenham compromisso com a informação útil e fiel, honrando o nome do jornalismo”. Assim, eu ficaria satisfeito.

3 Comentários

  1. Karina Soares Pinheiro disse,

    Não concordo muito com as suas considerações. Acho que o Brasil necessita que todas as profissões sefinam algum tipo de conhecimento específico para os profissionais de todas as áreas.

    A medida só serve para que pessoas que tenham talento antes de cursar alguma graduação possam pular etapas (jeitinho brasileiro) e poder trabalhar num jornal ou para os outros profissionais que não deram certo em suas respectivas profissões e querem tentar algo diferente já que sabem escrever.

    E acredito que em um jornal, só tem talento para escrever não adianta. O faro investigativo de um repórter e a habilidade em encontrar fontes, bem como a consciência ética da informação são essenciais e não costumam ser características natas.

  2. Roberto Ferrari disse,

    Entendo o que afirmastes, Karina, mas a realidade no jornalismo não é bem esta que você parece acreditar.

    Em um jornal – no meu caso – é que aprendemos verdadeiramente o que nos será útil na profissão. Acredito que a universidade é muito valiosa, sim, mas só ela não fundamenta um jornalista e por isso não acredito que ela pode ser um pré-requisito.

  3. Aléferson de Menez | Publicitário disse,

    Na Publicidade já são muitos anos em que brigamos pela obrigatoriedade de um diploma acadêmico para poder-se exercer a profissão de Publicitário. Sabemos que existem teorias que aprendemos na Universidade e que a convivência e aprendizagem acadêmica são imprencidíveis para a formação de um bom profissional. Mas mesmo assim, muitas e muitas pessoas, imcapacitadas e desabilitadas, se intitulam “Publicitários” e exercem a profissão de forma errônea. Isto gera, além da perda de uma credibilidade geral para os profissionais da área, uma concorrência desleal, já que existe muita prostituição de preços e a quantidade de pessoas que prestam estes serviços, de maneira competentye ou não, cada dia cresce mais.
    Na minha opinião, humilde opinião de quem também vive a mesma situação, deveria sim ser obrigatorio o diploma acadêmico.
    No caso dos Jornalistas, adotando-se a desobrigatoriedade de ser diplomado, uma solução que vejo seria a implantação de cursos técnicos ou profissionalizantes na área. Pelo menos assim a concorrência seria mais justa. O cara que cursou sua faculdade não poderia perder seu diploma para uma pessoa que simplesmente sabe escrever, e não teve preparação nenhuma para exercer a profissão de Jornalista.

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